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O Ecdytolopha aurantiana é um inseto de ocorrência em áreas neotropicais, com relatos na Argentina, Costa Rica, Trinidad Tobago e no Brasil. Até o final de 1970 não era considerado um problema para a agricultura. Porém com prováveis desequilíbrios biológicos, se tornou uma praga chave da citricultura no final da década de 80, e causou perdas de mais de 50 milhões de dólares anuais no Estado de São Paulo.
Pertence à família Tortricidae, e além de ser conhecido como Bicho furão dos critos, também é chamado de Mariposa dos laranjais, Mariposa das laranjas.
Ataca citros, goiaba, manga, lichia, macadâmia, banana, coco, fruta do conde. Havendo presença de frutos nas plantas, o inseto pode estar presente durante o ano todo no Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. A primavera é a época em que a praga se encontra em maior intensidade, seguida pelo verão e inverno (em algumas regiões, a população no inverno pode superar a do verão), devido a presença de frutos nos pomares.
O bicho furão provoca apodrecimento e queda de frutos, deixando-os inviáveis tanto para consumo in natura quanto para indústria. As maiores perdas são relatadas em regiões mais quentes, em locais com manejo inadequado, próximos a matas ou em áreas em que há atrasos na colheita.
O adulto dessa espécie é uma mariposa de coloração marrom escura, sendo que as asas posteriores são mais claras do que as anteriores, e mimetizam-se com os ramos. Mede cerca de 17mm de envergadura e possui um ciclo que dura em torno de 32 a 60 dias, passando por 5 instares de desenvolvimento (no caso de criação com dieta artificial, passam por 4 instares). Em relação a postura, as fêmeas colocam apenas um ovo por fruto e ocasionalmente sobre as folhas, ovipositando de 150 a 200 ovos no geral. Estes ovos são achatados e transparentes.
As lagartas ao eclodirem, vão perfurar a casca e penetrar no interior do fruto. Esse período dura aproximadamente 20 dias. Quando estão prestes a pupar, tecem um fio de seda e descem para o solo ou para a base da planta. Também podem pupar no próprio fruto ou planta.
As pupas possuem coloração marrom e são protegidas por um casulo formado com teia, solo e restos vegetais. Esse período dura entre 12 a 20 dias.
É um inseto muito sensível às baixas umidades relativas do ar, que faz com que a longevidade e capacidade postura diminua.
Danos
Os frutos atacados ficam amarelados e caem, além disso o orifício de penetração da lagarta fica visível e podem ser observada secreções que endurecem e se aderem a casca.,
É comum que se confunda as lesões provocada pelo bicho-furão com aquelas ocasionadas pelo ataque de moscas das frutas e é essencial que se saiba a diferença para escolher o método de controle mais adequado. Enquanto que o bicho-furão deixa excrementos e restos de alimento na parte externa do fruto, que endurecem na casca, os frutos atacados pela mosca ficam moles e com aspecto apodrecido.
Controle
Uma vez dentro do fruto, seu controle é inviável. Então é muito importante que haja monitoramento constante das mariposas por meio de armadilhas com feromônio sexual, que irá permitir definir o melhor momento para aplicação dos produtos para controle. O registro é feito pela contagem de machos adultos coletados a cada sete dias.
Caso sejam coletados 5 machos adultos na semana, não é necessária a aplicação de controle. Contudo, se forem capturados entre seis e oito machos o monitoramento deve se perpetuar por mais uma semana, e se na semana seguinte forem capturados nove ou mais machos, o controle deve ser iniciado imediatamente.
Inseticidas a base de Bacillus thurigiensis são eficientes por até 60 dias. Deve ser feita em duas aplicações, sendo que a primeira é feita logo que a praga é detectada (mais de seis machos por armadilha) e a segunda aplicação é feita depois de 20 a 30 dias. A pulverização deve ser feita por cobertura em toda a planta.
No controle químico nós temos inseticidas de largo espectro de ação que podem ser utilizados nos focos iniciais da praga.
Alguns cuidados adicionais devem ser tomados além das aplicações de inseticidas. É necessário realizar a coleta e destruição dos frutos atacados (tanto os que estiverem no chão, quanto os que estiverem nas árvores), para que o ciclo de vida do inseto seja interrompido.
Feito a coleta, os frutos devem ser enterrados sobre uma camada de pelo menos 30 cm de terra, evitando que a as lagartas voltem à superfície do solo.
Como a mariposa do Bicho furão costuma migrar de talhões com frutos maduros para talhões com frutos em fase inicial de maturação, é interessante realizar a colheita o mais rápido possível, a fim de evitar novos ataques.
Este artigo teve como referências: https://biocontrole.com.br/produto/bicho-furao-ecdytolopha-aurantiana/ https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/va02-pragas04.pdf https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11146/tde-12092006-161606/publico/MariuxiTorres.pdf https://www.fundecitrus.com.br/doencas/bicho-furao